NASA – Para a maioria das pessoas, é difícil imaginar como astronautas, isolados em longas missões, solucionam necessidades básicas. O que acontece quando eles adoecem ou simplesmente precisam de algum tipo de assistência médica durante uma missão?
A primeira estada de longa duração dos seres humanos no espaço aconteceu em 2001. A montagem da Estação Espacial Internacional da Nasa exigia grupos de astronautas que permanecessem de seis meses a um ano em órbita – algo que acontece ainda hoje.
Os médicos da agência espacial americana já se comunicavam com as equipes que faziam parte de missões curtas no espaço, normalmente para tratar de problemas de saúde ligados a viagens espaciais. Mas as estadas mais extensas tornaram obrigatório o desenvolvimento de uma estratégia remota de atendimento médico mais abrangente, que fosse desde doenças corriqueiras a atendimentos urgentes.
Isso porque a alteração da rotina e a microgravidade mexem com o condicionamento dos ossos e músculos, com a circulação e o sistema imunológico, segundo um artigo escrito por médicos da Nasa e publicado pela revista Harvard Business Review.
Prestar atendimento no espaço envolve um complexo planejamento, o treinamento dos próprios astronautas e a comunicação com médicos da Nasa ao longo de toda a missão. Esse trabalho é responsabilidade da equipe de “Saúde Humana e Performance” da agência espacial.

Consulta espacial
A telemedicina, que faz uso das telecomunicações e tecnologias da informação (como videoconferência, por exemplo) para fornecer informação e atenção médica a pacientes localizados à distância, é um componente fundamental para a manutenção da saúde dos astronautas no espaço. Por meio dela, é possível prover tratamento preventivo, diagnóstico e terapêutico durante a estadia de vários meses fora da Terra.
De acordo com o artigo da Harvard Business Review, o ultrassom é, atualmente, o procedimento mais praticado e desenvolvido com sucesso na telemedicina. Mas, para os médicos da Nasa, o sucesso poderia se repetir com outros procedimentos médicos “guiáveis”, como um tratamento dental, uma pequena cirurgia ou acupuntura. Os únicos requisitos são haver tecnologia de transmissão de imagem e conexão com a internet.
Um exemplo dado pelos médicos é o de um membro da equipe que, durante uma missão de seis meses de duração, apresentou uma dor debilitante no joelho. Foi realizado um ultrassom, com assistência de um ortopedista que visualizava o exame em tempo real. Ele fez o diagnóstico e prescreveu redução da rotina de exercícios e alguns remédios, com os quais o paciente pôde completar a missão sem mais problemas.

As etapas

1-) Planejar o apoio médico proporcional a cada missão
A capacidade médica de uma viagem espacial depende do perfil da missão e de seus riscos. São levados em conta fatores como duração do voo, tipo de lançamento e aterrissagem, capacidade de evacuação e quanto tempo levaria para completar um tratamento recomendado.
Com base nisso, uma equipe formada por médicos, enfermeiros, engenheiros biomédicos, psicólogos e técnicos de imagem dimensiona o que é preciso e o veículo é equipado com os materiais necessários, como instrumentos, remédios e até aparelhos de exercícios.

2-) Treinar membros da equipe para se ‘autocuidarem’
Todos os astronautas recebem treinamento para saber usar os aparatos médicos disponíveis. Alguns passam ainda por um treinamento de 40 horas que lhes dá uma qualificação de paramédico –  esses desempenham a função de médico oficial da equipe, quando não há nenhum médico de formação.
O treinamento ensina o que deve ser feito em emergências, como quando um colega tem dificuldades para respirar e em problemas médicos corriqueiros, como enjôo, irritação de pele e dor nas costas, um problema que afeta 60% dos astronautas, segundo os médicos da Nasa.

3-) Comunicar e aprender rápido
Também são realizadas simulações em que astronautas e profissionais de saúde praticam a maneira mais eficaz de comunicar uma ocorrência médica e qual o procedimento mais adequado.
Durante a missão, médico e paciente se comunicam por videoconferência, que permite uma avaliação médica remota da condição do doente.

Fonte: https://www.nexojornal.com.br/
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