Telemedicina no radar do setor em missão pela China

A inteligência artificial combinada com os serviços clínicos mostra-se cada vez mais eficiente para expandir o acesso à saúde em países com dimensões continentais. Essa foi uma das constatações do grande varejo farmacêutico nacional, que acaba de regressar de uma missão técnica à China, organizada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) em parceria com a consultoria Varese Retail Strategy.

O setor esteve representado por 50 altos executivos das 25 maiores redes de farmácias do país, que voltaram os olhares para temas como prontuários integrados, prescrição online na farmácia, pacotes de tratamento para crônicos e telemedicina. “Voltamos surpreendidos com a reinvenção deste país, em pouco mais de 20 anos. Exemplos de lojas sem funcionários e meios de pagamento online já são reconhecidos, mas o que eles também estão fazendo na área da saúde, é algo sem comparação com o ocidente”, comenta Sergio Mena Barreto, CEO da Abrafarma, com exclusividade ao Panorama Farmacêutico.

Para Alberto Serrentino, da Varese Retail, a visita deixou clara a aposta do governo chinês na descentralização das estruturas de atendimento como forma de ampliar o acesso à saúde aos municípios. “Empresas inovadoras surgiram para integrar uma gama de serviços digitais que envolvem monitoramento remoto de consultas, triagem e distribuição de medicamentos, reduzindo a necessidade de espaços físicos”, ressalta.

Impacto para a população

A telemedicina tem sido um recurso importantíssimo para a democratização do atendimento assistencial no país. De acordo com a Comissão Nacional da Saúde da China, todos os distritos em situação de pobreza do país já têm acesso a essa tecnologia por meio de iniciativas como a da Ping Na Good Doctor.

A empresa oferece atendimento completo ao paciente, incluindo diagnóstico e medicação, em um minuto. A operação é viabilizada por sistemas de inteligência artificial e sem funcionários, identificando a doença e indicando o tratamento mais adequado a partir de uma análise do quadro do paciente. Em caso de necessidade de medicação, as unidades contam com 100 categorias de remédios estocados. Caso o medicamento não esteja disponível, o paciente pode requisitá-la pelo app da empresa. Na base de dados, constam 2 mil doenças. Mais de mil “clínicas de um minuto” como essas estão sendo erguidas na China. O vídeo ao fim da reportagem ilustra esse modelo de assistência à saúde.

Em outra iniciativa que envolveu empresas e o governo, 249 hospitais na região rural de Sichuan (com 81,1 milhões de habitantes) foram conectados a 112 centros altamente especializados e localizados na capital. Entre 2003 e 2012, foram realizadas quase 12 mil teleconsultas dedicadas principalmente ao diagnóstico de neoplasias, lesões e doenças cardiovasculares. Como resultado, 39,8% dos diagnósticos originais realizados nos hospitais rurais foram modificados após a consultoria com os hospitais especializados e 55% dos tratamentos originais foram alterados. Além da evolução na qualidade assistencial, o projeto gerou uma economia líquida em torno de US$ 6 milhões por ano, para pacientes e especialistas.

Balanço

Ao todo, a missão percorreu 1.700 quilômetros passando pelas cidades de Pequim, Shangai e Hangzhou. A agenda de visitas, palestras e reuniões de trabalho permitiu absorver as melhores práticas dos novos formatos de varejo, marketing, crossborder e tecnologias que compõem os inovadores ecossistemas de negócios voltados para o consumo. “As novas soluções de pagamento com carteiras digitais são alguns dos exemplos. A Alibaba desenvolveu o Alipay, que funciona por meio de um aplicativo, em que usuários realizam transações diretamente em seus dispositivos móveis a partir de um crédito em conta”, acrescenta Serrentino.

Sergio Mena Barreto afirma que alguns temas assimilados na viagem serão aprofundados em outros eventos da entidade ainda este ano. “Tenho certeza que os aprendizados que tivemos na China nos inspirarão por muito tempo. O Master Class, programa de classe mundial que receberá um professor de Harvard em agosto; e o Future Trends, nosso congresso em setembro, certamente refletirão essas tendências”, avalia.

A missão ocorreu entre 23 de maio e 2 de junho com o patrocínio da Cimed e do Grupo NC/EMS. A agenda anual da Abrafarma inclui ainda um programa com universidade internacional realizado no Brasil, road shows para profissionais das redes associadas, programas de pós-graduação online e presencial, um grande congresso, e a principal premiação do setor. Mais de 15 mil profissionais são impactados anualmente por essa programação.

 

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico

Novo aparelho para celular diagnostica doenças nos olhos a custo baixo

Um aparelho portátil ligado a um smartphone faz imagens precisas da retina, permitindo detectar doenças do fundo do olho a um custo bem mais baixo do que os métodos convencionais. Criado pela Phelcom Technologies, o Eyer tem ainda a vantagem de possibilitar o diagnóstico por telemedicina, a quilômetros de um médico oftalmologista.

A empresa recebeu apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP pela primeira vez em 2016, para desenvolvimento e validação de um protótipo. Recentemente, teve aprovado projeto de comercialização e fabricação do produto no âmbito do Programa PIPE/PAPPE, resultado de parceria da FAPESP com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Além disso, a Phelcom é incubada na Eretz.bio, do Hospital Israelita Albert Einstein, um dos investidores. Em março, começou a operar sua fábrica em São Carlos, depois de conseguir as certificações do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Atualmente, são produzidas 30 unidades do Eyer por mês, número que deve chegar a cem até o fim do ano. O dispositivo já sai da fábrica acoplado a um smartphone de última geração e custa cerca de US$ 5 mil. O aparelho convencional mais usado hoje precisa ser ligado a um computador e custa em média R$ 120 mil.

Na frente da câmera do celular, fica um conjunto óptico projetado para iluminação e imageamento da retina. Quando as imagens são produzidas, o aplicativo que opera o aparelho as envia pela internet para um sistema web – chamado Eyer Cloud – que permite armazenar e gerenciar os exames dos pacientes.

Caso não haja acesso a wi-fi ou rede 3G ou 4G no momento do exame, as imagens ficam salvas no aparelho e são enviadas para a nuvem assim que houver conexão com a internet.

“Houve um esforço grande na área de óptica. Um dos desafios foi fazer uma versão portátil de um equipamento que normalmente é bem grande. Outro foi habilitar a operação não midriática, permitindo capturar exames de retina de qualidade sem a necessidade de dilatação da pupila do paciente”, disse José Augusto Stuchi, CEO da empresa à Agência FAPESP.

Imagens do Eyer, dispositivo acoplado a um smartphone que examina a retina e detecta retinopatias (Foto: Divulgação/Agência FAPESP)

 

Não por acaso, o nome da empresa é um acrônimo em inglês das três áreas: física, eletrônica e computação (physicselectronics e computing). Os outros sócios fundadores da Phelcom são Flávio Pascoal Vieira, diretor operacional (COO, na sigla em inglês), e Diego Lencione, diretor técnico (CTO). Os três se conheceram no Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa Opto Eletrônica, em 2008, e se aproximaram durante o mestrado na Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos.

O Eyer Cloud é uma inovação da equipe que vem se destacando por armazenar todas as informações adquiridas nos exames e organizar em um banco de dados. Os equipamentos atuais são, na maior parte, off-line, operando junto a um computador que salva as informações em um disco rígido.

O usuário do Eyer, por sua vez, deve criar uma conta, como a de e-mail ou de rede social, na qual são salvas automaticamente as imagens adquiridas pelo dispositivo.

“Tivemos de garantir a segurança dessas informações e um meio de subi-las rapidamente para a nuvem, para que se pudesse fazer a imagem em um lugar e ela já aparecer on-line”, explicou Stuchi.

Esse último fator é essencial para realizar a chamada telemedicina. O Eyer permite que um técnico treinado ou um médico generalista possa fazer as imagens, enquanto um oftalmologista especializado em retina as analisa e emite um laudo de outro lugar.

A empresa atualmente realiza parcerias com médicos oftalmologistas para a emissão de laudos da retina. Enviadas as imagens, o médico parceiro emite o parecer no próprio sistema. O pagamento se dá por meio de planos mensais. A depender da quantidade de laudos emitidos, cada um custará entre US$ 5 e US$ 10.

 

Inteligência artificial
Além de representarem um novo serviço, os laudos emitidos alimentam um banco de dados que pode ser usado para “ensinar” o computador a identificar padrões associados às principais doenças que afetam a retina, principalmente a retinopatia diabética.

Atualmente, a empresa tem mais de 10 mil retinas fotografadas e projeta ter, em pouco tempo, o maior banco de dados do gênero do mundo. Só para o próximo ano, os sócios projetam ter 50 mil pacientes examinados.

No ano passado, a Food and Drug Administration, agência que regula a venda de medicamentos, alimentos e equipamentos médicos nos Estados Unidos, aprovou pela primeira vez um algoritmo para diagnóstico de uma doença. A empresa IDx conseguiu autorização para usar um algoritmo que detecta justamente a retinopatia diabética, maior causa de diminuição da visão e de cegueira entre adultos norte-americanos.

No Brasil, estima-se que 7,6% da população urbana entre 30 e 69 anos tenha diabetes e, destes, metade tenha retinopatia diabética.

“O uso da inteligência artificial para diagnóstico ou para auxiliá-lo é uma tendência no mundo todo. Os computadores processam os dados, enquanto o médico atua na tomada de decisão”, disse Stuchi.

O empreendedor afirmou que o sistema da empresa tem atualmente precisão próxima de 80% para detectar retinopatia diabética, sem a necessidade de intervenção humana.

Com o aumento de sua base de dados, em breve essa taxa deverá chegar a 95% de precisão, quando a aplicação poderá começar a ser comercializada. O algoritmo norte-americano tem atualmente até 89,5% de chances de dar um diagnóstico correto.

“Com o apoio do PIPE, conseguimos contratar um time e manter o foco no projeto, deixando nossos empregos”, disse Stuchi.

Com projeções de colocar 150 Eyers no mercado brasileiro nos próximos 12 meses e obter R$ 3 milhões de faturamento, a ideia dos sócios agora é expandir as vendas para outros países da América Latina e depois para os Estados Unidos e a Europa.

 

Dispositivo vestível
A Phelcom Technologies também tem o apoio do PIPE para desenvolver outro produto inovador. Trata-se de um par de óculos que, quando colocado pelo paciente, faz o exame da retina e também mede a refração, principal exame oftalmológico realizado hoje.

O exame de refração define o grau de miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia (“vista cansada”), define se o paciente precisa de óculos e determina o grau necessário.

“Demoramos três anos do desenvolvimento à comercialização do nosso primeiro produto, o Eyer. Agora queremos fazer em menos tempo. Por isso, a ideia é criar pequenos módulos que possam ser acoplados ao Eyer ou a uma versão aprimorada dele. O ideal é que tenhamos, em alguns anos, óculos que façam de uma só vez a retinografia e meçam a refração e a pressão intraocular”, explicou Stuchi.

Agregar todos esses dispositivos em um par de óculos pode ainda eliminar ou tornar menos crítica a figura do operador do equipamento e padronizar os exames. Mesmo com o treinamento on-line realizado pela empresa para operar o Eyer, ainda há fatores subjetivos, como a forma de posicionar o aparelho, que podem gerar uma imagem melhor ou pior.

“Seguindo a tendência atual de dispositivos vestíveis, o próprio paciente faria o exame simplesmente colocando os óculos por alguns minutos”, disse.

Além do PIPE, a empresa credita seu desempenho à Eretz.bio, que, além de recursos, oferece mentoria em negócios e disponibiliza a estrutura do Hospital Albert Einstein para validação clínica dos aparelhos, e à Supera, incubadora de empresas de base tecnológica que funciona no Supera Parque, em Ribeirão Preto.

O parque tecnológico possui laboratórios de certificação para a indústria médica, fundamentais para o desenvolvimento do Eyer. Além dos suportes técnico e jurídico, a incubadora foi fundamental no direcionamento do produto para o mercado.

Novas tecnologias para a saúde
Com graduação e mestrado pela Escola de Engenharia de São Carlos da USP e atualmente fazendo doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Stuchi foi um dos empreendedores apoiados pelo PIPE que apresentaram projetos no Painel FAPESP – Pesquisa Inovativa em equipamentos médicos-hospitalares – Oportunidades e Desafios, realizado no dia 23 de maio, como parte da programação da Hospitalar, um dos maiores eventos da cadeia médica das Américas.

Participaram também do Painel FAPESP Paulo Gurgel Pinheiro, fundador da Hoobox Robotics, que desenvolveu uma tecnologia de reconhecimento facial para monitorar comportamentos humanos, usada para mover cadeiras de roda eletrônicas com expressões faciais e monitorar pacientes em unidades de terapia intensiva (UTIs), entre outras aplicações.

A outra empresa participante da seção foi a Brain4Care, criadora de um dispositivo não invasivo que mede a pressão intracraniana, auxiliando no diagnóstico e no monitoramento de uma série de condições médicas.

A empresa tem entre seus fundadores Sérgio Mascarenhas, professor emérito da USP, e Gustavo Frigieri, presente no evento, que teve seu primeiro apoio PIPE aprovado ainda em 2008.

“As três empresas têm uma atitude de olhar para o Brasil e também para o mundo. Para elas, ocupar espaço no mercado brasileiro é um meio para chegar a outros países, e não um fim. É o tipo de empresa que gostamos de selecionar no programa PIPE. Aqui mostramos três, mas há mais de mil empresas que já apoiamos, todas trabalhando no mundo inteiro”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, durante o evento.

O texto foi publicado originalmente pela Agência FAPESP.

Lufthansa adota solução de telemedicina em voos entre Brasil e Alemanha

Eletrocardiograma portátil melhorará cuidado médico de emergência em voos de longo curso da companhia aérea alemã.

A companhia aérea Lufthansa anunciou recentemente que equipou todas as suas aeronaves de longo curso com o sistema mobile de ECG (Eletrocardiograma) CardioSecur. Com isso, em caso de emergências médicas a bordo, o sistema permitirá que comissários sem expertise cardiológica registrem as frequências dos passageiros e enviem os resultados diretamente para o contato médico em terra.

De acordo com a empresa, a solução foi inicialmente testada em 2018 na frota A380 e agora estará disponível para emergências médicas em todas as suas aeronaves de longo curso, inclusive nos voos diários da companhia que partem de São Paulo (GRU) e Rio de Janeiro (GIG) para Frankfurt, na Alemanha.

“Os resultados do ECG, conduzido diretamente a bordo da aeronave, dão uma base melhor para definir se é necessário ou não desviar a rota para prover cuidado médico em terra em caso de emergência”, afirma o Dr. Sven-Karsten Peters, cardiologista do Serviço Médico da Lufthansa.

Afecções cardiovasculares são as causas mais comuns de incidentes médicos a bordo, afirma a empresa em comunicado sobre a iniciativa. Caso haja médicos no avião, eles estão autorizados usar o desfibrilador como solução alternativa para estabilizar a situação. Mas, de qualquer forma, os resultados desse aparelho não podem substituir um ECG, destaca a Lufthansa.

Pesando somente 50 gramas, o sistema desenvolvido e distribuído pelo Personal MedSystems GmbG, sob o nome de CardioSecur, consiste em um aplicativo instalado no Aparelho Móvel de Cabine (um mini iPad) dos comissários e em uma pequena maleta com um cabo ECG e quatro eletrodos descartáveis.

Como funciona

Caso um passageiro reclame de problema no coração, o sistema pode registrar um eletrocardiograma em pouco passos: o comissário estabelecerá conexão com a Internet via FlyNet Wifi; inicializará o aplicativo; a equipe conecta o cabo ECG nos quatro eletrodos e posiciona no tronco do paciente com mal-estar. O aplicativo, então, registra um ECG 12-lead, enquanto parâmetros adicionais como idade, peso, gênero, pressão sanguínea e saturação do oxigênio devem ser coletados manualmente.

Esses dados serão transferidos do aplicativo para a linha direta médica do International SOS (SOS), maior empresa de serviços de segurança médica e de viagens do mundo e que pode ser contatada por pilotos e tripulação 24/7, em caso de dúvidas médicas. A SOS avaliará o ECG e aconselhará a tripulação via telefone baseados nos dados analisados. Depois disso, a cabine deverá tomar a decisão final de desviar ou não a rota do avião. Se houver um médico dentre os passageiros, eles poderão utilizar o modo “expert” do aplicativo para monitorar a atividade cardíaca.

Além disso, o programa já existente “Doctor on Board” permite que a cabine rapidamente identifique médicos presentes a bordo, incluindo as suas especialidades. Esse programa provido pela Lufthansa, Austrian Airlines e Swiss possui atualmente mais de 11 mil médicos participantes, de todas as especialidades, que podem fornecer assistência médica em caso de incidentes médicos. Para esse propósito, também está disponível um kit de emergência que excede os requisitos obrigatórios, junto a outros materiais. A tripulação também está preparada para emergências e recebe anualmente treinamento de primeiros socorros.

Da Redação

13/06/2019 às 12h30

Fonte: Computerworld

Brics querem fundos de Novo Banco para telemedicina

Sistema de saúde remoto unificado reduziria custos de serviços.

Os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) completaram a fase de preparação para criar uma estrutura de cooperação na área de telemedicina, de acordo com o membro do grupo de trabalho Mikhail Natenzon, professor da Universidade Russa da Amizade dos Povos.

A estrutura começou a ser pensada ainda em 2014, durante o 8º Fórum Internacional de TI (tecnologia da informação) realizado na região autônoma de Khánti-Mansi, na Sibéria.

Durante as reuniões anuais de especialistas em telemedicina em Khánti-Mansi, foram criados grupos de trabalho de telemedicina do Brics e a Comunidade Internacional de Telemedicina do Brics.

Agora, as organizações  preparam solicitações para o Novo Banco de Desenvolvimento do Brics para o financiamento do “Projeto de Criação de Sistemas de Telemedicina Compatíveis dos Países do Brics”.

“Atualmente, Rússia e Brasil estão preparando solicitações para obter financiamento e realizar esse grande projeto”, disse Natenzon à agência Tass.

De acordo com as regras do Novo Banco, cada país poderá receber até US$ 300 milhões de financiamento.

“Assim, para realizar o projeto em todos os cinco países, pedimos que cada governo prepare sua própria solicitação. Além disso, todos esses documentos devem ser interligados, para deixar claro que estamos criando um sistema unificado”, completou.

Objetivos

O sistema de telemedicina é um conjunto de medidas organizacionais, financeiras e tecnológicas usado para consultas remotas entre grandes centros clínicos, monitoramento remoto de pacientes, e formação de médicos e enfermeiros.

O projeto de criação dos sistemas de telemedicina compatíveis do Brics fornecerá acesso ao sistema de saúde remoto a todos os cidadãos dos países do grupo, independentemente do local de residência ou posição social.

“Todos os países que têm sistemas de saúde querem garantir o acesso universal a serviços de alta qualidade para todos os cidadãos, independentemente do lugar de residência. A tecnologia da telemedicina permite resolver essa tarefa tão difícil”, acredita Natenzon.

Economia

Segundo especialistas, a introdução da telemedicina também elevará a eficiência dos gastos no sistema de saúde.

“Quase metade dos diagnósticos iniciais mundiais estão errados. Isso acontece não porque os médicos sejam ignorantes, mas porque o corpo humano é muito complexo. Diagnósticos errados levam consequências muito graves, inclusive sociais, já que as pessoas morrem devido a um tratamento errôneo, e financeiras, pois os Estados gastam muito dinheiro em tratamento desnecessário”, diz Natenzon.

“Com a telemedicina, porém, o médico pode estar em contato constante com colegas mais qualificados e obter o diagnóstico correto”, completa.

O Novo Banco de Desenvolvimento do Brics foi criado pelos países-membros do bloco em julho de 2014.

Com sede em Xangai, a instituição tem por objetivo financiar projetos infraestruturais nos próprios Brics e em outras economias emergentes.